Nas redes sociais, os vídeos de capivaras atraem milhares de visualizações, curtidas e comentários. Elas nem precisam estar fazendo nada de especial, apenas vivendo suas vidas, andando por aí ou relaxando na água. Qualquer coisa é suficiente para quase todo mundo morrer de amores. Mas como esse grande roedor furou a bolha e se tornou tão amado?
Ela não tem pelos coloridos ou macios, e também não é pequenina como muitos dos outros bichos considerados fofos. Ainda assim, algo na capivara encanta a todos. O que chama a atenção é sua personalidade e a maneira que interage com o ambiente, com outros animais e com os humanos. As capivaras estão sempre tranquilas, como se nada pudesse abalar sua paz.
Sem pressa, sem estresse, apenas vivendo a vida no ritmo mais relaxado possível.
E não é só na natureza que elas fazem sucesso. Algumas capivaras têm milhares de seguidores em seus perfis. Aparecem em vídeos aceitando carinho, usando roupinhas e vivendo dentro de casa.
Outras vivem em zoológicos e santuários espalhados pelo mundo. Visitantes pagam para vê-las e por outros serviços que esses lugares oferecem, como alimentá-las. Também é possível pagar por vídeos personalizados, em que as capivaras comem mensagens enviadas por seguidores.
Ainda, do outro lado do mundo, no Japão e na China, as pessoas gostam tanto desse animal que criaram cafeterias onde se pode aproveitar para tomar um café enquanto as capivaras andam entre os visitantes, que têm a oportunidade de acariciar seu pelo.
Hoje celebridades internacionais, as famosas capys, como são chamadas em inglês, são nativas da América do Sul e algumas poucas, mas bem poucas mesmo, podem ser encontradas em regiões da América Central e do Norte. Amantes de ambientes com água e vegetação abundante, elas se adaptaram aos espaços urbanos.
Não é incomum avistar capivaras em parques ou nas margens do rio Pinheiros, na cidade de São Paulo. Isso porque boa parte do seu habitat natural foi destruído com a construção das cidades, as obrigando a procurar novos lugares para viver.
O professor do Departamento de Ciências Biológicas da USP, Alexandre Reis Percequillo, diz que há poucos anos as capivaras não eram muito conhecidas, mas isso mudou com o aumento da população da espécie e a aproximação com a vida nas cidades. "As capivaras foram se habituando à presença humana e vice-versa."
Mas a aproximação coloca em risco tanto as capivaras quanto os seres humanos. Esses animais podem transmitir doenças, como a febre maculosa e raiva, e as pessoas podem machucá-las, de forma intencional ou não.
Esse tipo de situação mostra que, apesar de muito fofas, as capivaras são animais selvagens. Mesmo aparecendo em vídeos sendo tratadas como pets, elas não foram feitas para viver dentro de casa. Ao contrário de cachorros e gatos, as capivaras precisam de grandes espaços para correr, nadar e se reunir com seus grupos.
Apesar das aparências, nem toda capivara se comporta bem, é calma, amigável e gosta de brincar com humanos. Percequillo lembra que são animais grandes, com dentes muito afiados e devem, portanto, ser observados à distância. "Não devemos alimentar ou tocar em animais silvestres", afirma o professor.
Mayara Oliveira, bióloga do Projeto Capa, que atua na proteção, preservação e manejo da fauna do rio Pinheiros, diz que, além de risco de acidente, mexer com capivaras ou qualquer animal silvestre pode ser considerado crime ambiental.
A bióloga conta o caso de uma ciclista que se aproximou de um filhote para fazer uma foto, na ciclovia da Marginal Pinheiros e foi atacada pela capivara mãe, que quis proteger a cria.
Ela também diz que toda semana alguém procura o projeto para saber como adotar ou comprar uma capivara. Impossível. Manter animais silvestres como pet é crime. Ainda bem que, segundo ela, ninguém tentou raptar uma.
Existem outras formas de apreciar e ver esses animais tão fofos, como visitá-los no zoológico e em parques pela cidade. Além disso, lutar para a preservação do habitat é importante para que a espécie seja preservada —e as capivaras continuem pastando, nadando e relaxando por aí.
Saiba mais sobre as capivaras que ficaram famosas
Capivara Filó
Foi resgatada ainda filhote pelo influenciador Agenor Tupinambá. A história chamou atenção porque capivaras não podem ser criadas como pets. Hoje, ela vive numa fazenda e é cuidada por veterinários e biólogos

Cheesecake e Pumpkin
Moram num santuário nos Estados Unidos, onde os visitantes podem pagar para escrever uma mensagem que será comida por elas em um vídeo. Cheesecake chama ainda mais atenção por ser super sociável e fofa

Frankie
Mora na Tailândia e faz muito sucesso no TikTok, com mais de 3 milhões de curtidas. Ela aparece em vídeos fofos vestindo roupinhas, recebendo carinho e curtindo a vida como uma verdadeira capivara de estimação.

Onsen de Capivara
Capivaras adoram ficar na água e levar uma vida mansa. No Japão, elas podem relaxar em casas de águas termais chamadas de onsen. Já em zoológicos como o Nasu Animal Kingdom e o Izu Shaboten Zoo, elas aproveitam piscinas quentinhas no inverno

Café de Capivara
Em alguns cafés do Japão e da China, dá para tomar um café ao lado de capivaras de verdade. É possível passar até 30 minutos fazendo carinho e até alimentar os bichinhos com vegetais

Pastel de Capivara
Capistel é o nome que se dá ao pastel feito no formato de capivara, comum em algumas feiras do Brasil. Por aqui ainda existem a capixinha (coxinha de capivara), o pãopivara e até sobremesas inspiradas no roedor

Música "Cabybara"
Se você gosta de assistir a vídeos de capivara na internet já deve ter ouvido essa música. Ela foi criada como uma brincadeira por um influenciador russo e virou sucesso na internet. A letra repete o nome do animal várias vezes, deixando tudo mais engraçado

Desenho "Kapibarasan"
No Japão, as capivaras ganharam um anime chamado "Kapibarasan". Nele, a personagem principal vive pastando, relaxando em águas termais e curtindo a vida com seus amigos em um mundo tranquilo, assim como as da vida real

Capivara verde
Essa não é uma história muito feliz. Na Argentina foram encontradas capivaras cobertas por uma substância verde —resultado de bactérias encontradas nos rios em que elas nadam, afetados pelo aquecimento global
