
Assista ao empate do São Paulo no Monumental de Nuñez. Agora veja a partida desta quarta-feira, contra o mesmo River Plate-ARG, no Morumbi. O São Paulo não jogou bonito. Tão pouco teve um volume ofensivo convincente. Mas existe uma semelhança entre estes dois jogos: a competitividade que tanto se esperava deste elenco, tido como apático nas últimas temporadas.
A primeira tentativa da diretoria veio com a chegada de Edgardo Bauza. O departamento de análise de desempenho do clube, ainda em seu início, avisou: a grande característica das equipes campeãs de Patón era a intensidade, a briga por cada palmo de campo, o vender caro qualquer resultado adverso para seus adversários. O treinador, em uma experiência totalmente nova na carreira que é treinar no Brasil, vem tendo dificuldades, mas o elenco começa a responder. Vide estas duas partidas contra a equipe argentina.
A segunda cartada foi trazer um ídolo para dentro do vestiário. Sabemos que Lugano desembarcou no Morumbi por sua liderança. Não concordo com o fato de se contratar um jogador para "chacoalhar" o elenco, mas foi uma tentativa. O zagueiro uruguaio não joga futebol em alto nível faz alguns anos, mas é uma peça que pode ajudar em alguns momentos da temporada, claro que se posicionado corretamente e com a devida organização defensiva dos 11.
Mais adiante, trocas em cargos importantes da diretoria e comissão técnica. Saiu Ataíde, chegou Luis Cunha das categorias de base. Milton Cruz, depois de mais de 20 anos de São Paulo, também se foi. Pintado foi o contratado para a função. Todas mudanças estruturais no ambiente do clube.
Futebol não tem receita e não se faz do dia para o outro. Mas não vou falar da parte tática hoje. Especificamente neste caso o assunto mais importante é atitude. Analisar e entender futebol não é só falar do esquema 4-4-2 que a equipe usa para defender, das triangulações bem feitas pelos lados. Conceitos importantes, claro. Que muito uso aqui neste espaço. Mas no caso do São Paulo Futebol Clube o problema era (ou é ainda?) mais profundo.
O que vemos dia pós dia é uma mudança de comportamento. Isso não quer dizer que a classificação é certa. Que a equipe vai ganhar a Libertadores. Ou que todos os problemas foram resolvidos. Ainda existe muito a evoluir no futebol praticado atualmente. O repertório ofensivo ainda não é ideal. O volume de jogo não é tão satisfatório. É preciso mais para se conquistar vitórias mais tranquilas.
Mas esta mudança de comportamento é perceptível na relação entre os próprios atletas. Veja a forma como os gols são comemorados de alguns jogos para cá. Preste atenção na comunicação entre eles após uma boa chance de gol perdida. E mais, olhe qual foi a reação dos jogadores quando Vangioni deu um tapa no rosto de Calleri. Essa "reforma de ambiente", digamos assim, está acontecendo. Ela não acontece de forma estantânea. Mas vemos um caminho.
O papo de que não é preciso ter um elenco que se goste para ganhar títulos é muito peculiar. Só acontece em momentos de extremo profissionalismo (que ainda não vemos no Brasil) ou mesmo de grupos com uma exelência técnica acima dos demais. Somos humanos. Eles também são. E trabalhar em um ambiente ou você gosta das pessoas e sente que isso é reciproco, faz a diferença.
O caminho Tricolor em 2016 ainda é duro. A equipe ainda deve muito futebol à sua torcida. Mas uma certeza eu tenho: esse time que triunfou frente ao River Plate no Morumbi não volta a tomar seis gols de um rival. Esse time ganha clássico. Jogar assim daqui para frente é, no mínimo, obrigação.
http://espn.uol.com.br/post/591851_a-mu ... -sao-paulo





