Um texto de Rui Pedro Braz, jornalista e comentador na TVI 24.
Parece fácil, não parece? A Série A está no bolso e é a 7.ª Liga que conquista, sendo o primeiro na história a bisar em três ligas de topo...
Parece mesmo fácil, não parece? São já 30 golos esta época na Série A e 50 desde que aterrou em Itália. E as conclusões são fáceis de tirar: é o primeiro na história a chegar às 5 dezenas de golos em Inglaterra, Espanha e Itália. Mas é também o primeiro da Juventus a atingir esta marca desde que Joh Hansen a alcançou em 1952, e já tem na mira o melhor marcador de sempre da Vecchia Signora numa Série A, Felice Borel, que chegou aos 31 golos em 1934...
Mas é que parece tão fácil, não parece? Com 30 golos já lidera (com Immobile) a corrida ao Capocannoniere e pode ser o primeiro na história a sagrar-se melhor marcador em Inglaterra, Espanha e Itália. Também na mira já se encontra Lewandowski e os seus 34 golos na Bundesliga, o que significa que CR7 está bem dentro da corrida pela Bota de Ouro Europeia. E sabem que mais? Isso mesmo: seria o primeiro na história a ganhar esse troféu em três ligas de topo.
Mas por parecer fácil, será que é mesmo fácil? É que a somar a tudo isto, já leva 34 golos pela Juventus na época e até o recorde de Ferenc Hirzer, que chegou aos 35 golos em 1926 pelos bianconeri, está prestes a cair. Marcou ainda 11 golos esta época pela Selecção, o que coloca o registo, para já, nuns estonteantes 45 golos em 2019/20. Aos 35 anos. Em pleno ano de pandemia...
Não é fácil, não. Nem para ele. Tudo isto e muito mais só é possível à custa de muito talento, muito trabalho, muito profissionalismo. É ali, no “trancado” futebol italiano e sob o comando técnico de um “retrancado” Mauro Sarri, que o nosso CR7 mostra que ganha em qualquer palco e em qualquer contexto. Brilha mais do que os outros, marca mais do que os outros e ganha mais do que os outros. Seja onde for e contra quem for.
Fácil seria ter passado toda a carreira no Manchester United ou no Real Madrid. Na sua zona de conforto. Sem se desafiar a cada dia, a cada jogo, a cada ano. Sempre e sempre e sempre. Sem testar os seus limites e os limites da condição humana. Sim. Seria muito mais fácil. Mas se fosse fácil também não era para ele...





